PANC - Plantas Alimentícias Não Convencionais

Você sabia que nossos quintais estão cheios de "matos" e "ervas daninhas" que poderiam estar indo direto para o prato do almoço? As plantas alimentícias não convencionais (PANC) são folhas, flores e frutos que não temos o costume ou o conhecimento de comer, e que não são comercializadas e cultivadas de forma tradicional. 

Na Casa Horta, teremos o prazer de ter como super-parceiro o Lucas Mourão, da Jaca Verde PANC. Aqui no blog, Lucas vai falar sempre sobre essas plantas, dando dicas de uso, preparo e identificação, e falando sobre costumes e tradições culinárias para vocês!

Quem quiser entrar em contato diretamente com a Jaca Verde, pode fazê-lo por email (contato@jacaverdepanc.com.br) ou através do Instagram ou Facebook

Foto do blog "Matos de Comer"

Foto do blog "Matos de Comer"

Matos, ervas daninhas, inços, frutas nativas, flores comestíveis, partes não convencionais de frutos e legumes, algumas plantas ornamentais... todos esses elementos tem algo em comum! São considerados plantas alimentícias não convencionais (ou simplesmente PANC): todo vegetal (ou parte dele) que pode ser utilizado como alimento, tempero ou corante, mas não tem uso corrente pela população. As vezes a espécie só é conhecida em alguns locais e regiões, mas tem potencial para se tornar um alimento com fins econômicos.

O termo PANC foi cunhado em 2007 pelo botânico e maior referência brasileira no assunto, Valdely Kinupp, professor na UFAM (Universidade Federal do Amazonas), e representa um trabalho de longa data que envolve a catalogação e descrição dos usos culinários de uma enorme e variada gama de plantas que usualmente não são consideradas como próprias para a alimentação. Em outros países a discussão já vem de longa data, com o foco nas wild edible plants (plantas comestíveis silvestres) e edible weeds (matos comestíveis). No entanto, no Brasil a abordagem do tema nunca chegou de uma forma tão ampla e abrangente quanto nos últimos anos, graças ao belo trabalho de pessoas como o prof. Kinupp, a nutricionista Neide Rigo do blog Come-se, e o educador ambiental Guilherme Ranieri do blog Matos de Comer.

Mas, indo além da definição das PANCs, qual seria a grande importância delas no nosso uso diário? Várias são as razões, a começar pela questão da soberania alimentar. Quantos alimentos você consome no seu dia a dia que você é capaz de afirmar que são nativos do Brasil? Quanto da nossa alimentação diária é determinada por hábitos e costumes que são desconectados do ambiente brasileiro e pautadas no fast food? Pois bem, essa é uma primeira reflexão acerca do papel dessas plantas em nossas vidas.

O Brasil, um dos países com maior riqueza de biodiversidade na fauna e flora, tem poucos vegetais nativos sendo comercializados em supermercados e sacolões das cidades, um paradoxo desconcertante. Não é raro as pessoas mais jovens e urbanas nunca terem ouvido falar de taioba, ora pro nobis, jiquiri, jatobá, umbu, e uma enorme gama de plantas brasileiras que outrora foram muito utilizadas por nossos antepassados. É sobre isso que se trata a soberania alimentar, a capacidade de valorizarmos e decidirmos sobre a maneira como nos alimentamos, retomando tradições e comprando de pequenos produtores locais, valorizando o seu trabalho.

Um outro ponto importante que se refere às PANC é a questão da segurança alimentar, pois, comendo uma maior diversidade de plantas estamos contribuindo para um maior aporte de nutrientes, vitaminas e minerais para o nosso corpo, levando dessa forma uma vida mais saudável! Não é raro encontrar alguma PANC que, pelo simples fato de não ser cultivada, tem maior teor nutricional do que alguma parente sua, a exemplo do feijão mangalô (Lablab purpureus), que é mais proteico que o feijão comum (Phaseolus vulgaris). Grande parte das PANC são espontâneas, pouco ou nada cultivadas, e por esse motivo também, estão menos sujeitas ao veneno de agrotóxicos e agroquímicos dos cultivos tradicionais de hortaliças e frutas, apresentando grande vantagem no seu uso e vantajosas para nossa saúde e segurança alimentar!

É a partir dessa discussão que nasce a Jaca Verde Panc, um projeto/empreendimento de Belo Horizonte, que vem com a proposta de estender o conhecimento sobre as PANC e seus usos tradicionais para um maior número de pessoas, através de cursos e oficinas sobre variados temas que vão desde como preparar jacas até o como identificar espécies de plantas comestíveis nas ruas da cidade. Além disso, a Jaca Verde Panc produz doces, salgados, sucos e chás veganos com PANC, de forma a apresentar para as pessoas as variadas (e reais!) possibilidades de usos de PANC no nosso cotidiano.

A Jaca Verde surgiu de uma necessidade minha de fazer algo de impacto na sociedade, principalmente depois de me envolver com agroecologia e negócios sociais, quando ainda estudei na faculdade. Me formei em Relações Econômicas Internacionais pela UFMG em 2015, inicialmente com o intuito de prestar algum concurso público ou me tornar diplomata. Aos poucos fui percebendo o quanto a agroecologia, com sua lógica transformadora, me instigou a trabalhar em algo que contribuísse de certa forma para o fortalecimento do movimento. Foi aí que nasceu a Jaca Verde, em abril de 2016, com o lema “Conhecer para preservar”, pelo qual são construídos os cursos e oficinas da Jaca, pois, só conhecendo sobre as plantas e tradições que seremos capazes de entender a sua importância e preservar cada vez mais essa riqueza.

Lucas Mourão
Diretor da Jaca Verde Panc


Obrigada Lucas por sua participação no blog da Casa Horta! Ainda temos muito o que falar desse assunto, e muitas variedades para explorar! Só no Brasil, estima-se que existam cerca de 10.000 espécies de PANCs. No mundo inteiro, esse número pode chegar a 50.000! 

Para quem gostou do assunto, recomendamos o livro  "Plantas Alimentícias não Convencionais no Brasil". Nele, os autores Valdely Ferreira Kinupp e Harri Lorenzi, ensinam a identificar e preparar diversos tipos de alimentos.

Aqui na Casa Horta teremos sempre uma seleção de PANCs para você levar para casa e provar - ou relembrar, já que muitas vezes conhecíamos alguns desses alimentos pelas mãos dos avós e tios, mas acabamos perdendo o costume de consumi-los!

Alguns das PANCs que vocês vão achar na Casa Horta: serralha, capuchinha, umbigo de banana, peixinho da horta, ora-pro-nobis, taioba... e nuitas outras!

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